Milho Verde e Várzea, vistas da Serra do Ouro: agressão à Várzea ameaça toda a comunidade



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Milho Verde vista do alto da Serra do Ouro

 

Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem-vinda de Nazaré? 
Disse-lhe Felipe: Vem e vê.
(João 1: 46)

  

A Oitava edição do Encontro Cultural de Milho Verde abrigou o Encontro Ambiental (16 e 17 de julho de 2007), que apresentou temas de interesse para as questões ecológicas em Milho Verde.

A importância da preservação da Várzea foi discutida em termos do valor do patrimônio natural da região como reserva hídrica e de diversidade biológica, e para a manutenção da qualidade de vida da população e da atratividade turística (veja como foi a programação do Encontro Ambiental).  

A Várzea, a Serra do Ouro e a Serra do Raio estão inseridas em vários contextos de proteção ambiental, o que reforça o interesse para a constituição de um Parque. Todos estes lugares estão incluídos na Área de Proteção Ambiental (APA) das Águas Vertentes, que se destina à proteção de mananciais de diversas bacias hidrográficas, e à proteção do entorno do Parque Estadual do Pico do Itambé. A região situa-se na Serra do Espinhaço, declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO em 2005; a Serra do Espinhaço é uma das regiões de maior biodiversidade do planeta, e além disso constitui, graças à porosidade de sua composição granítica, uma reserva hídrica de extrema importância, abastecedora das bacias do rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. Nas Serras do Ouro e do Raio é feita a captação de água potável para as comunidades de Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras e Vau. Diversos sítios de interesse paleontológico (contendo pinturas rupestres) podem ser encontrados nas lapas da região. Pela Várzea passaram, na época colonial, os viajantes que percorriam o caminho oficial, e obrigatório, com destino ao Arraial do Tejuco (Diamantina), no apogeu da exploração dos diamantes. Assim, a região também reúne, aos argumentos em prol de sua preservação, o interesse pelo patrimônio histórico-cultural mineiro, atributo que constitui o maior apelo de roteiros turísticos como o da Estrada Real.

Veja os links:
Reserva da Biosfera do Espinhaço
Parque Estadual do Pico do Itambé
APA das Águas Vertentes
Estrada Real

Realizou-se também um debate sobre o PróParque da Várzea e do Lajeado. Ao final do Encontro Ambiental, Bia Domingues brindou os presentes com uma projeção de fotos em que a beleza da Natureza na região de Milho Verde e de toda a Serra do Espinhaço falou, por si própria, da importância de sua preservação.

 



Várzea, Lajeado, Serra do Ouro e Serra do Raio:
na região da própria nascente do Jequitinhonha, está sendo destruído um imenso 
patrimônio ecológico de inigualável beleza e de interesse paleontológico e histórico  
(na foto, as formações rochosas da Serra dos Santos).




Voçoroca no Córrego do Lajeado; a captação de água, a perda da vegetação ciliar, 
as queimadas e o rebaixamento do lençol freático (água subterrânea) estão 
causando um desastre ambiental.
  
  



Uma das áreas arenosas já atinge mais de 1 hectare (10.000 m²). 

  
  



Enquanto Milho Verde não se unir para resolver o problema da Várzea, 
resultados negativos como o da foto acima só irão se agravar, com prejuízos para todos.
  
  
Caso a devastação prossiga no ritmo acelerado de hoje, o abastecimento de água e os atrativos turísticos da localidade estão seriamente ameaçados e, com eles, o sustento e a qualidade de vida da população.

A constituição de uma área de preservação que resguarde o abastecimento de água, a atratividade turística e a qualidade de vida da população é o passaporte de Milho Verde para o futuro. Se preservada, a Natureza do entorno vale ouro para os habitantes de Milho Verde: o ouro do turismo. Se dividida, dilapidada e destinada à pecuária e à especulação imobiliária, a Várzea se tornará um deserto arenoso, sem vegetação, sem água, sem cachoeiras, tomado por cercas e erosões. Assim, não restarão atrativos para os turistas, que vieram a Milho Verde atraídos pelo contato privilegiado com a Natureza e que farão o caminho de volta, com destino a regiões mais preservadas.

Em consulta pública à comunidade, ocorrida no dia 11 de agosto de 2007, presidida por Paulo Sérgio Procópio Torres, Secretário Municipal de Turismo, Cultura e Meio Ambiente da Prefeitura do Serro, foi decidida a formação do Comitê de Proteção da Bacia Hidrográfica do Córrego do Lajeado.




Além de destruir um patrimônio da Natureza que é de toda a comunidade, 
e que garante a qualidade de vida do habitante local, a pecuária ameaça 
o verdadeiro sustentáculo da economia em Milho Verde - o turismo.
  
  



Se medidas efetivas de proteção ambiental não forem tomadas, 
a Várzea corre sério risco de se transformar em um deserto.
  
  

O aumento contínuo das erosões tem causado dificuldades para a manutenção dos canos de abastecimento de água

O aumento contínuo das erosões tem causado dificuldades até mesmo
para a manutenção dos canos de abastecimento de água.

  
  
A queimada de hoje pode até ajudar no boi de amanhã, mas ameaça as possibilidades de sobrevivência das novas gerações da comunidade

Queimadas, plantio de braquiária e posseamento em Área de Preservação:

o gado que está sendo criado hoje destrói as possibilidades futuras de sobrevivência 
das jovens gerações da comunidade por meio da economia do turismo; o turismo é 
hoje o maior segmento da economia mundial e um dos setores que mais crescem; 
se a população de Milho Verde não proteger imediatamente seus valores ecológicos,
urbanísticos e arquitetônicos, as melhores possibilidades da economia local estarão 
perdidas para sempre.

O solo da Várzea, devido à sua composição quartzarenítica, não se presta ao manejo sustentável em nenhum tipo de exploração econômica agropecuária empregada - quer seja plantio, pastagem natural, pastagem plantada, ou mesmo extrativismo vegetal. Ou seja: o uso da Várzea como pasto deteriora a cada dia as condições locais e, além de ser limitado economicamente, ficará a cada dia menos rentável, até se tornar contraproducente em um futuro próximo, deixando apenas o rastro de uma paisagem desolada, improdutiva e sem atrativos para o turismo.

Encontra-se disponível para download o estudo Entre tradição e modernidade: sustentabilidade do desenvolvimento pelo turismo em uma comunidade tradicional de Minas Gerais. A pesquisa, de autoria de Jorge Arndt, e apresentada como dissertação de mestrado em Administração, avalia a formação histórica da região e enfoca as dinâmicas sociais, econômicas e culturais locais em meio aos impactos globalizados do presente. Vários temas de interesse para a comunidade são abordados, entre eles os aspectos sociopolíticos e econômicos do posseamento de Áreas de Preservação e as ameaças e oportunidades para a população no novo contexto competitivo de turismo que ora se desenha.

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