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Sempre-viva
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E D I T O R I A L
É DE TODOS...
Surgiu inesperadamente o boletim. Sinceramente, ainda está surgindo.
Agora em cores (ou em busca de cores). O mundo colorido de Milho Verde.
Nossa poesia está nas remelas dos olhos. O boletim está com a menina dos olhos. Os olhos estão por todos os lados.
E que os poemas venham de boca em boca, ao invés de fuxico. Fuxico só no pano (pra manga). Paz e prosperidade para todos. “Tranquilo, irmão, a vaca é sagrada!”. O boi é sagrado e profano.
VIVA A VÁRZEA!!! VIVA DONA SANTA!!! ABAIXO ÀS AMEAÇAS!!!
Em terra de cego, quem tem um olho é rei. E de real, por aqui, só a estrada mesmo... Poesia estradeira. Pra madame e pra micróbio. Pro sabido e pro rudo. Cego, surdo ou mudo.
POESIA PRA TODOS!!!

Venha fazer parte desse Cordão Cultural!
Vamos criar, fazer arte, tornar fazer e sair por aí...
Percorrer Milho Verde, ir para a Barra da Cega, para o Baú, o Ausente e outras comunidades Tornar fazer e poder contar.
Essa rede será formada por espaços de criação de instrumentos musicais, brinquedos, bordado, costura.
Vamos reciclar fibras e outros materiais, criar papéis e preservar nosso meio ambiente. Também teremos espaços para a expressão musical, a dança afro e tradições culturais da região. Criar programas de rádio, vídeos, um sítio na internet, poder assistir ao “cine do campo”.
E, é claro, participar do sempre-viva, este boletim poético que você agora lê. Neste primeiro semestre iniciaremos 3 espaços de criação:
Espaço de criação e expressão audiovisual, Espaço de inclusão e cultura digital e Espaço de criação literária sempre-viva boletim poético.

  

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O que é o Instituto Milho Verde - IMV ?
Associação sem fins lucrativos que tem por finalidades o incentivo à cultura, a preservação ambiental e o apoio ao desenvolvimento da comunidade. Dentre as inúmeras ações desenvolvidas, realizamos o Encontro Cultural em que grupos folclóricos, shows musicais e outras atividades movimentam Milho Verde em julho. A programação abrange as áreas de música, dança e teatro, aspectos característicos da comunidade local, como a contação de histórias, a culinária, o artesanato, a reciclagem e o meio ambiente.
O IMV conta também com a Pharmacinha de plantas medicinais, que tem como base o conhecimento popular, funcionando desde 2000 e desenvolvendo seu trabalho voltado para a população
milhoverdense.
A VÁRZEA E O LAJEADO PEDEM SOCORRO
Olhos que vêem de longe
acham que está tudo belo.
Olhos que vêem de perto
sentem que o problema é sério.
Animais que rastejavam ali
não sei para onde foram.
Codornas que construíam seus ninhos
não sei para que lado voam.
Onde foram as garças brancas
que visitavam ali?
Com a destruição e as queimadas
vocês desapareceram daqui.
Onde está a sempre-viva
que toda a Várzea floria?
Aonde foi a grande lagoa
que no Lajeado existia?
Nossas águas eram limpas
poços fundos pra nadar.
Hoje a areia tomou conta
e o leito do córrego veio mudar.
Sei que o nosso gado
do capim vem alimentar.
Evite fazer as queimadas
pra nossa Várzea não acabar.
A lagoa do Lajeado
com esse assoreamento vai acabar.
Acho que daqui a alguns anos
nem a sede dos animais vai matar.
Deixo aqui meu sentimento
desta terra onde moro.
Espero que juntos recuperemos
pois é um lugar que eu adoro.
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Ângela Socorro dos Santos Correia

Fui a pé
voltei de avião.
Lá no Lajeado
tem água com sabão!
Márcio Correia

“Milho Verde é um lugar onde a poesia
segura o coração da gente o tempo todo”
Adão Ventura
Em Milho Verde
cachoeiras encantadas
escondem estrelas e
segredos, que o
vento espalha...
Estrelas,
Segredos...
Pedras cantam.
À noite encantam.
Se eu pudesse ficar em
Milho Verde, sem
jamais voltar à cidade...
Isso não seria um sonho,
nem tampouco realidade,
seria puro encantamento.
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Sonho em Milho ver-te!
Elizabeth A. Oliveira
em Cantar o Milho
Encantar o Verde

“tão resguardada
e já tão cosmopolita...”
Edmar Alves
em Cenas de Milho Verde
Milho Verde fica no alto vale do Jequitinhonha.
Em toda a região encontramos cerca de 140 nascentes
que precisam ser preservadas!

Fiquem atentos às sessões do cine do campo no IMV e em outros espaços da comunidade!
Brevemente o cine itinerante estará percorrendo a região.
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Bule Boi
Eh menino que brinca com o boi,
Eh menino que bule com o boi,
Esse boi só pega quem bule com o boi.
Esse boi, vem de longe,
Com a estrela na testa
Esse boi, vem de longe,
Alegrar a nossa festa.
Bule boi, bule boi, bule boi
Faz a roda o curral do boi.
Bule boi, bule boi, bule boi
Abre a roda o curral do boi.
Bule boi, bule boi, bule boi
Quero ver quem vai torear o boi.
O grupo Profano e Sagrado vem proporcionando encontros em torno da brincadeira do boi. Aos interessados, participem!
plantei uma rosa
para te dar um botão
a rosa morreu!
e eu te dou meu coração.
não te dou uma rosa
porque tem espinho
mas te dou meu coração
cheio de amor e carinho.
Silmara Fabiano
HUMILDADE
Senhor, fazei com que eu aceite
minha pobreza tal como sempre foi.
Que não sinta o que não tenho.
Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.
Dai, Senhor, que minha humildade
seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura,
numa terra sedenta
e num telhado velho.
Que eu possa agradecer a Vós,
minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

Cora Coralina
em Meu livro de cordel
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Expediente
sempre-viva boletim poético
nº 7 ano 3 março 2006
Realização: Vítor Kawakami e
Bruno Emiliano
Fotos: Nando
Colaboradores: Cristina Ferreira, Magoo
Tiragem: 500 exemplares
Impressão: Gráfica MJR
Agradecimentos: Maíra Buarque, Silvinha, Dente, Ricardo (MJR),
Brasil (Diamantina), Aurinha e Wanderley
realização


Fazer saber,
para tornar fazer e poder contar
impressão

(31) 3357 5777
  
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